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Nordeste, o queridinho das empresas

O Nordeste brasileiro sempre foi visto com ressalvas pelo capital produtivo. Ostentando os piores indicadores sociais do país, a região esteve, ao longo de décadas, relegada a segundo plano na hora de se decidir pelo local de construção de uma fábrica. Esse tempo de patinho feio, porém, está ficando para trás. Com um ritmo de crescimento que faz lembrar a China, país com a economia que mais se expande no mundo, o Nordeste se transformou em ponto obrigatório para empresas que querem ampliar seus negócios. Sobretudo, entre as classes C, D e E, que reúnem mais de 70 milhões de pessoas, metade delas distribuída pelos estados nordestinos.

A Ortobom, uma das maiores fabricantes de colchão do país, abriu, neste ano, sua quinta unidade no Nordeste, desta vez em São José do Ribamar, no Maranhão – as outras estão na Bahia (duas), no Ceará e em Pernambuco. Foram necessários R$ 10 milhões para que o projeto saísse do papel. A Unilever, que fatura R$ 9 bilhões por ano no Brasil, está segura da base de sustentação da economia local. Tanto que além de transferir 30% da produção de sorvetes Kibon de São Paulo para Jaboatão dos Guararapes, aqui em Pernambuco – operação que exigiu investimentos de R$ 24 milhões -, abriu uma fábrica no município de Ipojuca, também em Pernambuco, na qual concentrou toda a produção de cremes dentais. Só essa unidade custou R$ 63 milhões.

 

  A Cereser, fabricante de bebidas com sede em Jundiaí, interior de São Paulo, também partiu com tudo para o Nordeste. Na última sexta-feira, a empresa abriu a sua primeira fábrica na região, em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. A nova unidade, orçada em R$ 14 milhões, produzirá, de início, cachaça, vodca e vermute.

 

  “O Nordeste se transformou em um dos principais pilares do nosso crescimento no Brasil. A região já representa 30% do nosso faturamento”, afirma Johnny Wei, diretor para as regiões Norte e Nordeste da multinacional Nestlé. Ele diz mais: “As vendas da Nestlé no Nordeste estão crescendo a um ritmo de 15% ao ano, o dobro do verificado nas demais regiões do país”.

 

Menos pobreza – As mudanças nas condições sociais da região explicam esse movimento das empresas. A renda e o emprego aumentaram e, por tabela, a pobreza diminuiu – mas ainda 42,4% da população são de miseráveis. Pelas contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de trabalhadores ocupados subiu 3,4% em 2005, superando a média nacional, de 2,9%. Já a desigualdade social cravou baixa de 2,2%, índice quatro vezes maior do que a média do país, de 0,5%. Nos últimos 12 meses, as vendas no varejo no Nordeste apontaram incremento de 17%, três vezes mais que a média do Brasil.

 

  E a renda dos nordestinos foi puxada pelo aumento do salário mínimo, que passou de R$ 300 para R$ 350 neste ano. Houve ainda o reforço do Bolsa Família, o programa assistencialista do governo que beneficia 11 milhões de famílias, 60% delas vivendo na região.

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