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Nordeste à espera de obras

27 de outubro de 2014

A presidente reeleita Dilma Rousseff terá pela frente um desafio diante da Região Nordeste: fazer com que os nove Estados que a compõem continuem se desenvolvendo e aproximar esse crescimento do principal centro industrial do País, a Região Sudeste. Também, nesse pacote, vêm obras inacabadas que são fundamentais para a Região. Dados do último relatório do PAC apontam, apenas no Estado de Pernambuco, atrasos em obras nos eixos de transporte, água e energia.

Ainda está distante a inauguração de grandes obras enaltecidas pelas gestões petistas, como a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. No eixo de transportes, o PAC previa 16 obras no Estado, mas apenas quatro foram entregues – duplicação da BR-408, dragagem do canal interno de Suape, o Terminal de Passageiros do Porto do Recife e o conector do Aeroporto do Recife, essas últimas apressadas para a Copa do Mundo. Falta concluir, por exemplo, a duplicação da BR-104, no Agreste. O eixo de transportes inclui, ainda, a Transnordestina. Iniciada em junho de 2006, com prazo de entrega vencido em 2010, a obra atingiu agora 41% da sua execução.

Outra obra fundamental para o desempenho industrial de Pernambuco é o Arco Metropolitano. O projeto, que teve a licitação suspensa e não há previsão para lançamento de um novo edital, servirá para escoar a produção do polo industrial de Goiana, especialmente a fábrica da Fiat, ao Porto de Suape. A montadora está em fase de testes e inicia a sua produção comercial no primeiro semestre de 2015. O governo federal atribui o atraso à liberação de licenciamentos ambientais por parte da CPRH.

No eixo de energia, a obra de mais destaque é a Refinaria Abreu e Lima. Prometida em 2005, o empreendimento deveria ter sido entregue em 2010. A previsão é que metade seja inaugurada no próximo mês. A refinaria é alvo de escândalos de corrupção, como pagamentos de propinas e outras irregularidades, e a presidente Dilma Rousseff deverá tratar com cuidado o início das atividades.

Das 35 obras previstas no eixo de água, apenas quatro constam no relatório como concluídas. Aqui, tem-se outra promessa petista, a transposição das águas do Rio São Francisco. Iniciada em 2007 e com cronograma de operação extrapolado em 2010, a obra iniciou os primeiros testes apenas no mês passado.

Para o professor do departamento de Teoria Econômica da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador da pós-graduação de Políticas Públicas, Fernando Pires, é preciso que seja criada uma política nacional que contemple o Nordeste e que garanta a capitalização de investimentos. "Há desigualdades regionais e sociais. O papel da União é dar condições de avançar de acordo com a necessidade de cada Região, atrelando essa condição ao planejamento e à profissionalização", explicou. O professor afirmou, ainda, que o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não foi favorável aos Estados do Nordeste. "Com Fernando Henrique, houve um esvaziamento do planejamento do Brasil. Pelo contrário, ele acabou com a Sudene, que pensava estrategicamente o Nordeste", disse Fernando Pires.

Já no governo Lula (PT), também na opinião do professor, tal diferença foi amenizada, mas não sanada. "O governo de Lula aportou muito mais recursos, principalmente em programas de transferência de renda, além de investimentos nos portos de Suape e Pecém. Mas tem que ver até que ponto ampliou o desenvolvimento e ajudou a inserir a população, gerou empregos", acrescentou.

Na opinião do economista Roberto Cavalcanti Filho, um dos principais gargalos da Região Nordeste, especialmente em Pernambuco, é a questão da infraestrutura. "Ainda estamos muito longe da infraestrutura do Sudeste. Muita coisa foi feita, mas ainda há muito a fazer. Nos últimos anos do governo de Eduardo Campos, sentiu-se na pele a deficiência da falta de infraestrutura, quando se passa mais de duas horas para chegar em Suape, que está a 50 km da capital", exemplificou. Além da infraestrutura, o economista cita outras áreas de investimento necessárias na Região. "Como desafio, é preciso investir em infraestrutura, em mobilidade, em questões urbanas, mas também em saúde, saneamento básico e educação. Não resta dúvida que qualquer governo precisa manter as conquistas sociais, ampliar – para não servir apenas de interesses eleitorais – e criar chances de sair do assistencialismo", concluiu.

Fonte: Jornal do Commercio

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