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Na Câmara, a crise passa longe

5 de junho de 2015

Enquanto o governo do Estado e a Prefeitura do Recife estão apertando os cintos para fechar as contas e manter um mínimo de investimentos, a Câmara de Vereadores da capital pernambucana está em uma situação confortável em meio à crise. A Casa José Mariano teve um incremento de 18,7% nos seus recursos no primeiro quadrimestre de 2015 em comparação ao mesmo período de 2014. No ano passado, a Câmara recebeu R$ 37,4 milhões de janeiro a abril. Já no mesmo período deste ano, o valor repassado foi de R$ 44,4 milhões. Por lei, a prefeitura repassa 4,5% da sua receita ao Legislativo.

No primeiro quadrimestre deste ano, a Câmara informou que gastou R$ 39,2 milhões. Ou seja, sobraram R$ 5,2 milhões em caixa. O aumento do repasse feito à Câmara foi proporcionalmente maior que o incremento da arrecadação da prefeitura. Segundo o balanço divulgado no final da semana passada, as contas municipais tiveram um incremento de 4,8% neste quadrimestre em comparação ao de 2014, abaixo da inflação, que foi de 6,5%.

A folga no caixa permite que a Casa adote algumas medidas na contramão da crise. Nesta semana, foi aprovado um aumento de 10% nos salá- rios dos funcionários efetivos e comissionados da Câmara, o que vai aumentar em R$ 4,81 milhões o custo anual com a folha de pagamento. O que significa que a diferença já foi “paga” apenas com o valor que ficou em caixa do primeiro quadrimestre.

A demonstração que os gastos estão livres não para por aí. No final de 2014, a Casa de José Mariano contratou uma empresa de locação de veículos por R$ 1,4 milhão. Os veículos, 18 no total, ficam à disposição da Mesa Diretora e setores administrativos. O aluguel de cada veículo (Voyage) sai em média por R$ 82,5 mil anuais, duas vezes mais que o valor de venda um carro novo do mesmo modelo.

FUTURO

De acordo com o presidente da Câmara, Vicente André Gomes (PSB), o valor do repasse pode reduzir nos meses seguintes, variando de acordo com a arrecadação da prefeitura. “Vai ter que cortar na carne se não chegar um aumento”, disse, sem especificar quais seriam esses cortes. O vereador argumentou que, apesar do reajuste aos servidores, outros pontos não sofreram aumento, como tíquetes alimentação e combustí- vel. “Faz quatro anos que o auxílio-combustível não é reajustado”, completou. Cada vereador tem direito a R$ 2,3 mil mensais para custear combustível. No entanto, Vicente não descarta a possibilidade de, com a manutenção do aumento da receita, de reajustar também os demais auxílios. Um dos destinos para o dinheiro seria a construção de uma nova sede. “Poderíamos desapropriar. É um sonho isso. Vou chegar no final da minha legislatura e isso não tem avanço. Queria fazer com uma PPP, mas tem que ter recursos para contrapartida”, disse. Ainda de acordo com o socialista, em junho serão chamados novos servidores concursados, impactando em mais R$ 1,6 milhão por ano a folha de pagamento. 

Fonte: Jornal do Commercio

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