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Mudanças na PM para frear violência

19 de novembro de 2015

No rastro de um crescimento de 33% no número de homicídios no último mês de outubro, em comparação com o mesmo período de 2014, o governador Paulo Câmara anunciou, ontem, a troca de comando da Polícia Militar do Estado. Sai o coronel Antônio Pereira Neto, que ocupava o cargo desde janeiro deste ano, e entra o também coronel Carlos D?Albuquerque, que, na última terça-feira, tinha sido anunciado como novo chefe da Casa Militar do Palácio do Campo das Princesas.

O governo não confirma, mas informações de bastidores dão conta de que também deixarão os cargos o subcomandante Ilídio Vilaça, o chefe do Estado- Maior, Franklin Leite, e o diretor de Polícia Especializada, Josué Limeira. Entre os cotados para as vagas estão os coronéis Adalberto Freitas (subcomando) e André Cavalcanti (Estado-Maior), este último, coordenador da Operação Lei Seca. A posse do novo comandante acontece hoje, às 8h, no Quartel do Comando-Geral da PM, no Derby, área central da cidade, e contará com a presença de Paulo Câmara.

Segundo o governador, Pereira Neto alegou motivos pessoais para deixar o comando da corporação. Mas em seu discurso de assinatura do ato de posse do novo comandante, Câmara deixou claro que o Pacto pela Vida (PPV) "precisa de ajustes permanentes visando a redução de homicídios". O governador disse, ainda, que não havia objeção ao trabalho do coronel Pereira Neto, e que tomou uma "decisão necessária".

Oficiais da PM ouvidos em reserva pela reportagem acreditam que o governo pretende sacudir a corporação, trocando seus principais gestores para obter melhores resultados no combate à violência. "Se tudo estivesse dando certo e o comandante alegasse motivos pessoais para sair, não teria sentido mudar outros cargos estratégicos", comenta um oficial.

Motivos para mudanças não faltam. De janeiro a outubro já foram contabilizados 3.187 homicídios, um número que já é maior que todo o ano de 2013, quando o PPV teve seu melhor desempenho. Nos dez primeiros meses da gestão de Paulo Câmara, a meta mensal de homicídios estipulada pela Secretaria de Defesa Social (SDS) – medida para ser sempre inferior à do mesmo mês do ano anterior – só foi alcançada uma vez (em junho, quando o objetivo era terminar com 272 assassinatos e foram registrados 251). Nos outros nove meses, o número real superou a projeção.

Outubro foi o pior mês do Pacto pela Vida em 2015, com 380 homicídios, quando a meta eram 251. A última vez em que se registrou um número tão alto de assassinatos foi em janeiro de 2009, quando o programa entrava em seu terceiro ano.

A primeira medida do novo comandante da Polícia Militar será a realização de um diagnóstico da corporação com vistas a otimizar o trabalho de policiamento ostensivo. "Vou conversar com oficiais e também pretendo estreitar laços com a comunidade. Devemos continuar no eixo definido pelo Pacto pela Vida, que é a busca por uma cultura de paz".

Carlos D?Albuquerque Maranhão Filho tem 49 anos e, além de militar, é engenheiro civil especialista em gestão de desastres. É casado e pai de uma filha. Ingressou na PM em 1985 e foi promovido a coronel em 2013. Trabalhou como chefe da Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) e atuou no 17º Batalhão de Polícia Militar, em Paulista, no Grande Recife.

Fonte: Jornal do Commercio

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