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Gasolina e diesel mais caros

7 de novembro de 2014

Onze dias após as eleições, a Petrobras anunciou, ontem, um reajuste dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias. O aumento entra em vigor a partir de hoje. A gasolina subiu 3%, e o diesel, 5%. O preço nas bombas, que é livre, deverá ser reajustado à medida em que novos estoques de combustíveis cheguem aos postos. O presidente do Sincopetro (sindicato dos postos), José Alberto Gouveia, disse que o repasse para o consumidor deverá ficar um pouco abaixo do reajuste aplicado nas refinarias para as distribuidoras. No aumento anterior, que foi de 4% (em novembro de 2013), o repasse na bomba foi de cerca de 3%.

Se o aumento de 3% for integralmente repassado ao consumidor, o impacto na inflação será de 0,06 ponto percentual em 30 dias após a entrada em vigor.

O teto da meta de inflação para o ano é de 6,5% – em 12 meses até setembro, o índice acumulado é de 6,75%.

O reajuste havia sido autorizado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), em reunião do Conselho de Administração da empresa, na terça-feira passada. Mantega é presidente do conselho.

Na ocasião, não houve acerto sobre o preço. A presidente da Petrobras, Graça Foster, havia feito, no encontro, uma apresentação que trazia o percentual de 8%.

Segundo Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o aumento autorizado não produzirá efeito significativo sobre as perdas acumuladas ao longo do ano pela estatal – que importava o combustível por um preço maior do que revendia no Brasil.

Pires afirma que, para reverter esse prejuízo até o final do ano, os reajustes precisariam ter sido de 20% para a gasolina e para o diesel. De acordo com ele, com o reajuste, a gasolina deve ficar 3% mais cara no Brasil do que no golfo americano, enquanto o diesel está com preço equivalente.

O governo optou por dar o que foi chamado internamente de aumento simbólico para os combustíveis com dois objetivos. Primeiro, evitar grande impacto na inflação neste final de ano, buscando fazer com que o IPCA não estoure o teto da meta. Em segundo, para sinalizar ao mercado que o governo deseja fortalecer a Petrobras e praticar uma política de preços no segundo mandato mais realista. A estatal passa por dificuldades de caixa e enfrenta o escândalo revelado pela Operação Lavo Jato da Polícia Federal. As ações preferenciais da empresa, as mais negociadas, acumulam desvalorização de 17,7% no ano. O governo também levou em conta que, com a redução recente do preço da gasolina no mercado externo, os preços domésticos não estão mais defasados.

Segundo informações da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o preço do litro da gasolina em Pernambuco, pesquisada em 328 postos, varia entre R$ 2,629 e R$ 3,30, levando o valor médio para R$ 2,914. Para se ter uma ideia do impacto, se aplicados diretamente sobre esse valor, os 3% se transformariam em R$ 0,08 e o preço chegaria a R$ 2,994.

Mas em muitos postos do Recife o litro já passa de R$ 3, independentemente do aumento.

No âmbito político, o reajuste é, na avaliação de líderes do PSDB, mais um item no que eles classificam de "estelionato eleitoral" praticado pelo governo petista. Segundo o partido, os reajustes nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, além do aumento de juros, foram feitos logo após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em contradição ao discurso que ela fez durante a campanha presidencial. Na avaliação do líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antonio Imbassahy (BA), esses são alguns itens do pacote de maldades que começou a ser entregue aos brasileiros logo após as eleições. Já a presidente Dilma confirmou que o aumento havia sido definido, mas que no momento serviria para repor perdas do passado. Mas, fez questão de frisar que o governo mantém a disposição de não atrelar a variação de gasolina e diesel às oscilações internacionais, o que evita grande reajustes.

Fonte: Jornal do Commercio

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