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Gás natural deve sofrer reajuste
3 de maio de 2006
São Paulo, Brasília e Recife – O preço do gás natural deve subir com a decisão da Bolívia de nacionalizar o produto. Mas não dá para saber ainda quando isso vai acontecer nem quanto será o repasse para o consumidor. Ou mesmo se haverá impacto para o Nordeste, que não usa o gás boliviano. Especialistas no setor falaram ontem em um possível reajuste médio de 10% a 15% para o produto trazido da Bolívia.
Em 2005, os consumidores do produto importado enfrentaram dois reajustes: 13% no final de agosto e 10% em novembro. Mas os usuários do gás nacional – incluindo os pernambucanos – também tiveram aumentos. Foram 6,5% no final de agosto e 5% em novembro. A justificativa dada pela Petrobras para reajustar os valores do gás nacional foi a de que o produto não sofria aumento há mais de dois anos. O repasse da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) foi integral.
O especialista do setor de energia da Tendências Consultoria, Sérgio Conti, espera agora um aumento de, no mínimo, 30% para o preço do gás boliviano que érepassado às concessionárias brasileiras. “Este aumento deve chegar na totalidade aos consumidores”, disse. Ele acredita que, a partir deste aumento para as concessionárias, que pode acontecer nos próximos dias, o impacto para o consumidor poderá ser decidido imediatamente.
Já o pesquisador da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Giuseppe Bacoccoli, disse que o aumento na tarifa de gás para o consumidor brasileiro seria a conseqüência mais imediata e “mais suave” da decisão anunciada segunda-feira pelo presidente boliviano, Evo Morales. Para ele, a pior conseqüência seria a interrupção do fornecimento de gás ao Brasil.
Sem considerar aumentos de custos relativos ao transporte e distribuição, deve gerar uma alta de preço sozinha de 10% a 15% no Brasil, diz Bacoccoli. Há pouco mais de 60 dias, os usuários do gás boliviano já foram obrigados a incorporar um reajuste de 15% no preço por conta de mudanças na Bolívia. Para Celso Arruda,professor do Departamento de Engenharia de Petróleo da Unicamp, o governo brasileiro deverá tentar amortecer o aumento de preço.
Já o presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Romero Oliveira, afirmou que falar sobre preço hoje é especulação. “Tudo o que se falar vai criar pânico”. Na opinião do diretor da distribuidora Dislub, Humberto Carrilho, seria injusto se houvesse repasse para o consumidor nordestino. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, limitou-se a dizer que o governo não sabe se a decisão da Bolívia aumentará a inflação no Brasil.
Fonte: Diário de Pernambuco
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