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Fosso social volta a aumentar

19 de setembro de 2014

RIO E RECIFE – No penúltimo ano do governo Dilma Rousseff, o processo contínuo de melhora da distribuição de renda parou e apresentou uma leve piora. Entre 2012 e 2013, o índice de Gini (medida internacional de desigualdade), passou de 0,496 para 0,498, no indicador que mensura exclusivamente a distribuição dos rendimentos do trabalho – melhor referência disponível na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo IBGE. Desde 2001 o fosso social medido pelo Gini (quanto mais perto de zero menor a desigualdade) vinha caindo.

Já o índice de Gini que mede todas as fontes de rendimento (aposentadorias, transferências do governo, aluguéis e rendimento de aplicações) passou de 0,504 para 0,505 nesse período.

Embora a Pnad tenha começado em 2002 (com números de 2001), os levantamentos anteriores com base em dados do próprio IBGE apontavam para uma melhora contínua desde 1995, mais forte nos primeiros anos do Real e no primeiro governo Lula.

A renda do brasileiro também aumentou entre 2012 e 2013. Mas então como a desigualdade aumentou? porque a renda dos 10% mais ricos sobiu mais (5,7%) do que a dos 10% mais pobres (3,5%).

Esse cenário se dá diante do fraco crescimento econômico, da freada do mercado de trabalho e do pequeno crescimento real do salário mínimo – 2,3%, ante 10% em 2012.

Para Gabriel Ulysses, economista do Ipea, os dados mostram um retrocesso na trajetória de melhora contínua da distribuição de renda do País desde o Plano Real. Em 2012, diz, a queda da desigualdade já mostrava uma forte desaceleração.

Segundo Fernando Holanda, da FGV, já se notava uma deterioração do mercado de trabalho no ano passado, que se intensificou neste ano e desaguou na piora da distribuição da renda.

O freio na redução da desigualdade atinge em cheio o dia a dia das pessoas. No Centro do Recife, o auxiliar de construção civil Severo Fernando dos Santos, 52, é taxativo: "Os preços sobem e o salário fica o mesmo. E não há nem previsão de quando vai aumentar", lamenta ele, que recebe R$ 1,2 mil por mês. Com renda um pouco maior, de R$ 1,8 mil, a instrutora de imagem pessoal Marisgley Nascimento, 45, precisou aumentar a carga horária de trabalho para receber mais. "Só ganho esse valor porque dobrei meu tempo de trabalho. Se não fosse isso, estaria ganhando a metade".

O governo minimizou ontem a piora na distribuição de renda. "A parada na queda não veio para ficar. Temos indicações de que voltou a cair", disse o ministro Marcelo Neri (Assuntos Estratégicos).

Fonte: Jornal do Commercio

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