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Festa sem espaço para crise

15 de maio de 2015

A crise no setor metalúrgico em Pernambuco, que resultou em milhares de demissões no Complexo Industrial e Portuário de Suape nos últimos meses, foi ignorada pela presidente Dilma Rousseff (PT), ontem, durante visita ao Estado. A petista participou do batismo do navio Marcílio Dias e deu início à viagem inaugural do petroleiro André Rebouças, construídos pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), que vem passando por problemas financeiros. Ao lado do governador Paulo Câmara (PSB), do novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, e do novo chefe da Transpetro, Cláudio Campos, ela não falou sobre os 1.400 postos de trabalho cortados no EAS e focou seu discurso na gestão do ex-presidente Lula (PT).

Dilma enfatizou que a produção de navios petroleiros é hoje "motivo de orgulho" para o País e que tinha ajudado Lula nessa retomada. "O Brasil tinha sido nos anos 80 o segundo maior produto na indústria naval e esse processo foi desmantelado. Os estaleiros que existiam quando o ex-presidente Lula (PT) chegou ao governo produziam pequenas embarcações. Começamos a construir a indústria naval do nada porque tinham sucateado o parque que havia", disse. Paulo Câmara deixou de lado o discurso de que o Brasil vive crise ética e econômica e incluiu o Estado como parceiro do governo federal.

O discurso da presidente frustrou empresários e trabalhadores que esperavam que ela anunciasse o plano de recuperação da Sete Brasil (envolvida na operação Lava Jato). Sem pagar ao EAS, a companhia motivou a demissão de 1.400 funcionários vinculados ao projeto de construção de sondas para a empresa. Com dificuldades de fluxo de caixa, o estaleiro aguarda um aporte de R$ 100 milhões dos sócios para evitar pedido de recuperação judicial.

"Estamos aqui tentando um plano de sobrevivência", disse o presidente do EAS, Harro Ricardo Burmann. Mesmo que em tom discreto, o executivo e o presidente do sindicato nacional do setor (Sinaval), Ariovaldo Rocha, cobraram ao presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, a edição do Promef 3 (programa de contratação de navios a estaleiros brasileiros). E aproveitaram para pedir a Dilma que estude a ampliação de 20 para 30 anos o pagamento dos empréstimos concedidos pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), principal fonte financiadora do setor naval.

Fazendo fila para entrar na cerimônia, os operários brincavam que poderiam fazer panelaço. Muitos disseram ter recebido orientação de suas chefias para manter o "controle e a educação" (leia-se: evitar vaias). No início, a presidente foi bem aplaudida, mas no final a euforia arrefeceu, pois não foi dada qualquer alternativa para tirar o setor da crise.

"Os operários aguardavam algum anúncio sobre a Sete Brasil, alguma alternativa real", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindimetal), Henrique Gomes.

Fonte: Jornal do Commercio

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