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Está ruim. E deve piorar

1 de junho de 2015

A economia brasileira encolheu 0,2% no primeiro trimestre frente ao quarto trimestre de 2014, informou o IBGE ontem. É o maior recuo na série com ajuste sazonal (frente ao trimestre anterior) desde o segundo trimestre de 2014, quando a economia teve perda de 1,4%. Analistas esperavam recuo de até 1%. Para o segundo trimestre, a expectativa não é positiva. De cinco consultorias consultadas pela reportagem, todas trabalham com nova queda no PIB no período formado por abril, maio e junho. Duas revisaram estimativa para uma retração maior no período, duas mantiveram estimativas e apenas uma considera que o tombo poderá ser menor.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado do primeiro trimestre significa uma queda de 1,6%, a maior na comparação anual (trimestre contra igual trimestre do ano anterior) desde o segundo trimestre de 2009, quando foi registrado recuo de 2,3%. Considerando o acumulado em 12 meses, o PIB caiu 0,9%. Isso significa que, se o ano tivesse terminado em março, a economia teria registrado perda de 0,9%, o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2009, quando a perda foi de 1,3%. Em valores numéricos, o PIB (soma de bens e serviços produzidos no País) ficou de R$ 1,408 trilhão entre janeiro e março.

Pelo lado da produção, a única atividade a registrar alta do PIB no primeiro trimestre foi a agropecuária, que avançou 4,7% frente ao quarto trimestre. Frente ao mesmo período do ano passado, o avanço foi de 4%. Em valores correntes, a agropecuária somou R$ 79,6 bilhões ao PIB. A indústria caiu 0,3% na comparação com o fim de 2014. Frente ao mesmo período do ano passado, recuou 3% a maior desde o segundo trimestre de 2014 (-3,6%). Na compara- ção com um ano atrás, o setor foi prejudicado por um tombo de 12% na produção e distribui- ção de eletricidade, gás e água – o maior revés desde o quarto trimestre de 2001, quando caíra 15,8%. Naquele ano houve racionamento forçado (apagão) de energia.

A influência negativa veio do maior uso de termelétricas e por problemas no abastecimento de água em muitos Estados – e da queda de 7% na indústria de transformação, a maior desde o terceiro trimestre de 2009, quando registrara recuo de 10,6%. Neste último segmento, foram especialmente mal no primeiro trimestre a indústria automotiva, a de máquinas e equipamentos, a de eletrônicos e vestuário. O destaque positivo da indústria foi o segmento extrativo mineral, que cresceu 12,8% em relação ao primeiro trimestre de 2014 puxado pelo aumento de produção de petróleo, gás natural e minérios ferrosos. “Na indústria extrativa mineral, cujo peso no PIB é de 4%, houve efeito positivo tanto do petróleo como no minério de ferro. A gente teve, há pouco tempo, um recorde de produção no pré-sal e está havendo aumento da demanda nas economias avançadas”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O ajuste fiscal também teve efeitos sobre a combalida indústria brasileira. “O BNDES, até pelo ajuste fiscal, mudou algumas regras do PSI (Programa de Sustentação do Investimento) e pró-caminhoneiro, então afetou a parte da indústria pesada e a parte de autopeças”, destacou Rebeca. 

Fonte: Jornal do Commercio

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