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Dívidas sobram para os idosos

28 de julho de 2016

O endividamento dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) bateu novo recorde. Com o desemprego, a queda na renda familiar e o crédito mais caro, sobrou para os segurados ajudar nas contas da casa, usando, cada vez mais, os empréstimos consignados. Este ano, a modalidade disparou 9,4% e os beneficiários já devem R$ 94,1 bilhões aos bancos, divulgou ontem o Banco Central.

Com a aposentadoria comprometida com o orçamento doméstico, o aposentado Edson Nascimento, 66 anos, entrou para a estatística das operações de crédito do BC. Ele não encontrou outra saída além de recorrer ao consignado para quitar dívidas e pagar despesas médicas. Desde novembro do ano passado, pegou dinheiro emprestado duas vezes. Hoje, a dívida é de R$ 20 mil. Todo mês, Edson desembolsa R$ 1 mil do benefício. “Não sei quanto vou pagar de juros, mas terei descontos pelos próximos dois anos”, explicou. Além das contas de casa e com medicamentos, ajuda a filha que ficou desempregada. “Ela não tem como arcar com os próprios gastos, sobra pra mim”, desabafou.

Em 12 meses, o saldo devedor dos aposentados e pensionistas cresceu 12,4%, enquanto, na média, as operações totais de crédito às pessoas físicas avançaram 4,6% no mesmo período, para R$ 1,53 trilhão. Em junho, especificamente, o aumento foi de 0,3%. De acordo com o Banco Central, somadas todas as operações de crédito, incluindo pessoas físicas e jurídicas, o saldo atingiu R$ 3,13 trilhões, o que representou recuo de 0,5% em junho.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, explica que é raro ter queda no crédito em junho, e isso só ocorreu uma vez, em 2001. “O recuo é reflexo da baixa atividade econômica, de menos estímulo para tomada de crédito e de menor renda das famílias”, justifica. No primeiro semestre de 2016, a retração é de 2,8%. Em igual período do ano passado, houve alta de 2,7%. A disparada do consignado aos aposentados é vista como um dado positivo, conforme Maciel. “É um crédito de qualidade, com juros mais baixos”, explica Maciel.

Na opinião de Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os dados divulgados pelo BC mostram que o cenário continua de dificuldade. “O crédito está reduzido, os prazos estão mais curtos e as taxas de juros continuam em alta, apesar da manutenção da Selic em 14,25%.

Sobre o aumento nas operações de consignado dos aposentados, o diretor da Anefac destacou que isso vem ocorrendo por dois motivos: “É uma linha mais barata, com juros mais baixos, então há uma preferência em tomar esse tipo de crédito. Mas também tem a ver com risco. Os bancos estão privilegiando as operações com menos risco e o consignado tem recebimento garantido porque é descontado em folha”, disse.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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