Marca SINDIFISCO Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco

Notícias da Fenafisco

Dia de mais sufoco para os passageiros

29 de julho de 2014

Uma greve enfraquecida, com casos pontuais de violência e transtornos menores do que os esperados. Assim foi o primeiro dia da paralisação dos motoristas, cobradores e fiscais de ônibus da Região Metropolitana do Recife. Situação que deve se repetir hoje, pois a Justiça manteve a liminar que determina a circulação de 100% da frota de coletivos nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 20h) e 50% nos demais horários. O sindicato da categoria diz não ter data para encerrar o movimento, mas foi convocado para audiência de conciliação e instrução do dissídio coletivo, às 16h de hoje, pelo vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-PE), desembargador Pedro Paulo Pereira Nóbrega.

De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transportes, a frota em circulação girou em torno de 70%. Mesmo sem farda e assustados, motoristas e cobradores foram trabalhar. "Viemos porque a Justiça determinou, mas está muito difícil mesmo. Estamos ansiosos, com medo. Os passageiros não entendem a nossa reivindicação e terminam ficando contra a gente", reclamou o motorista Jadilson Gonçalves.

Nas ruas, a população enfrentou uma espera maior em alguns pontos e terminais, mas conseguiu se deslocar, inclusive à noite. Muitas empresas liberaram os funcionários mais cedo temendo a falta de ônibus e isso facilitou a volta para casa. Às 18h, quase não se via ônibus no Centro, mas poucas pessoas aguardavam nas paradas.

Pelo menos nove coletivos foram depredados. Grevistas chegaram a fechar algumas faixas da principal via que corta a cidade, a Avenida Agamenon Magalhães, no Derby, área central da capital, por volta das 18h. O motorista de um ônibus que fazia a linha Jardim Brasil I (Joana Bezerra) tentou desviar do bloqueio e o veículo teve o pneu furado por cerca de 40 manifestantes. A polícia foi acionada, mas não precisou intervir na ação, que durou cerca de 20 minutos.

Outras ocorrências foram registradas nos terminais integrados localizados na periferia da capital e cidades vizinhas, por onde passam cerca de 900 mil dos 2,5 milhões de passageiros diários. Um coletivo da Empresa Vera Cruz, que fazia a linha Barro-TI/Cajueiro Seco, foi parcialmente incendiado no Terminal de Integração do Barro, na Zona Oeste da capital. Não houve feridos, mas o clima era de medo e tensão entre usuários e rodoviários, que se desentenderam em várias ocasiões.

No TI do Barro, usuários diziam que alguns rodoviários ajudaram nos atos de vandalismo, enquanto motoristas e cobradores garantiam que a confusão tinha sido provocada pelos passageiros, revoltados com a retenção de coletivos no início da manhã.

Alguns profissionais pararam os coletivos nas ruas entre 8h e 10h, segundo eles por determinação do sindicato. Na Avenida Mascarenhas de Morais, na Imbiribeira, um dos principais corredores viários da Zona Sul do Recife, 50 ônibus ficaram estacionados na via, nas imediações do Terminal Integrado Tancredo Neves.

Nas proximidades do Complexo de Salgadinho, em Olinda, motoristas abandonaram os ônibus na rotatória da Avenida Presidente Kennedy e provocaram engarrafamentos. Um homem chegou a ser preso por policiais militares, acusado de depredar um coletivo. Nos terminais de integração, a rotina diária de espera ficou mais complicada. Na Macaxeira, não houve grandes transtornos, mas as reclamações de demora foram maiores. A situação foi um pouco mais tranquila nos terminais da PE-15, em Olinda, e no Pelópidas Silveira, em Paulista.

Os rodoviários decidiram cruzar os braços em assembleia realizada no dia 23. A categoria não aceitou a proposta de reajuste de 5% nos salários e no tíquete-refeição, apresentada pelo Urbana-PE, sindicato dos empresários de ônibus. Começaram exigindo 30%, o mesmo percentual de 2013, mas reduziram para 10%, índice proposto pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) – intermediador da negociação – além da elevação do valor do tíquete-refeição de R$ 171 para R$ 320. Comandada pela nova diretoria eleita em maio último, a categoria não conseguiu demonstrar força no movimento. O novo presidente, Benilson Custódio, só vai tomar posse no mês de dezembro.

Fonte: Jornal do Commercio

Mais Notícias da Fenafisco