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Cresce pressão sobre a presidente Dilma

12 de março de 2015

A crise brasileira, que extrapola a economia, passa pelo Congresso Nacional e chega ao Palácio do Planalto, começou a fazer pressão para mudanças na articulação política do governo Dilma. Um dos reflexos dessa nova crise foi a diminuição dos poderes atribuídos ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Ontem, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a admitir que, mesmo garantido na pasta, o petista passará a dividir com outros ministros a responsabilidade pelas negociações políticas com o Congresso. Apesar de integrar o núcleo duro de Dilma, Mercadante passou por um longo processo de fritura durante todo o dia de ontem, promovido especialmente pelo próprio partido, o PT, e pelo “aliado” PMDB. O motivo: os sucessivos erros de avaliação e as derrotas sofridas pelo governo recentemente.

A menos de quatro dias das manifestações contra seu governo, programadas para o domingo em várias partes do país, Dilma decidiu que serão incluídos no atual conselho político do governo – composto até então exclusivamente por petistas – o titular das Cidades, Gilberto Kassab (PSD); o da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PCdoB); e o da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB). “Vamos chamar, eventualmente, ministros para participar da discussão, principalmente quando o assunto for correlato a eles”, explicou ela, na noite de ontem, em visita ao Acre. Dilma disse ainda que as reuniões poderão ser “semanais ou mais que semanais”. 

Enquanto o futuro de Mercadante estava ameaçado, com aliados pedindo a cabeça do ministro, duas notas oficiais foram divulgadas antes da entrevista de Dilma – uma da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e outra do Instituto Lula. “Não corresponde à verdade o rumor de que a presidente Dilma Rousseff tenha recebido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sugestão de mudança na chefia da Casa Civil”, afirmava a primeira. “As frases atribuídas erroneamente a Lula nunca foram ditas pelo ex-presidente”, completou a segunda.

Até então, as queixas pela atuação do chefe da Casa Civil eram encaradas por setores do Planalto como o choro de petistas enciumados com o trânsito livre e o prestígio de Mercadante perante a presidente. Mas os ataques mudaram de patamar quando o PMDB passou a vocalizar a mesma insatisfação do PT. Questionado se Mercadante deveria permanecer na articulação política, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi irônico na noite de ontem: “Ele faz a articulação política? Não sabia”.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desafeto de Mercadante, não esquece que, em 2007, o petista pediu a renúncia do peemedebista por conta das suspeitas de ter as despesas pessoais pagas por um lobista. 

As mudanças de ontem, entretanto, não são suficientes para o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira. “Não adianta mudar o nome de A ou B, é preciso mudar o conceito de coalizão (firmado como pacto domingo passado).” É de um petista – o deputado Paulo Teixeira (SP), que vem o recado mais contundente: “O PT e o governo precisam estar mais atentos e abertos às pressões que vêm das ruas, da sociedade e dos nossos aliados”, completou, referindo-se aos protestos marcados para domingo.

Fonte: Diario de Pernambuco

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