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Copom ignora a recessão

4 de setembro de 2014

Menos de uma semana após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmar que o país mergulhou numa recessão técnica entre janeiro e junho deste ano, o Banco Central ignorou a debilidade do quadro econômico e, contrariando os anseios do próprio governo, decidiu manter inalterada a taxa básica de juros. Em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado financeiro, os diretores do Comitê de Política Monetária (Copom) votaram ontem pela manutenção da taxa Selic em 11% ao ano.

Com a decisão, o Brasil se mantém firme no posto de campeão internacional no ranking de juros reais elevados, à frente de países como China, Índia e Rússia. Enquanto na maior parte do mundo civilizado os juros básicos caíram para próximo de zero, nos mercados emergentes vale a receita de sempre para atrair capitais: elevar o custo do dinheiro para e torcer para que investidores de curto prazo venham lucrar com os juros nas alturas.

Não é para menos que o BC decidiu manter os juros elevados, mesmo com o país tendo mergulhado de vez na recessão. No radar da autoridade monetária, além do baixo crescimento e da inflação elevada, preocupa também o risco de fuga de capitais do país. Neste ano, durante três meses, o fluxo de dólares fechou no vermelho.

Em fevereiro, maio e junho houve mais saídas do que entradas de moeda no mercado financeiro nacional, situação que voltou a se repetir em agosto. Dados divulgados ontem pelo BC mostram que o fluxo cambial ficou negativo em US$ 3,05 bilhões. Foi o maior rombo registrado nessa conta já registrado em todo o ano, o que mostra que, mesmo com juros altos, o Brasil tem enfrentado dificuldade para atrair investidores estrangeiros.

Não por outro motivo, o Banco Central tratou de afastar de vez a possibilidade de reduzir a Selic neste ano, percepção que ganhou corpo no mercado financeiro com a divulgação do comunicado que se seguiu à decisão do Copom. Na nota divulgada à imprensa, o BC suprimiu a expressão “neste momento”, que constava no comunicado do encontro anterior, realizado em julho.

Naquela ocasião, o mercado financeiro entendeu que a declaração fosse a sinalização de que o BC pudesse cortar a Selic, devido o baixo desempenho da economia. “Mas era justamente o contrário disso”, observou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, chamando a atenção para o fato de que, naquela ocasião, as preocupações do BC eram com a inflação elevada, e não a fraqueza do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Diario de Pernambuco

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