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Combate ao déficit só com reforma
23 de outubro de 2006
BRASÍLIA – O Governo Federal conta com uma melhora momentânea na situação econômica e com medidas de gestão para justificar o adiamento de um problema que só cresce: o déficit da Previdência. O discurso oficial é que não será preciso iniciar a reforma no próximo governo, mas especialistas avaliam como imperativa a necessidade de começar a mudar as regras o quanto antes. Caso contrário, o governo só estará adiando o problema para outras gestões. Para defender seus argumentos, o governo mostra números que supostamente lhe dão mais tranqüilidade no curto prazo. Em 1998, havia 1,99 pessoa contribuindo para cada uma que recebia aposentadorias ou pensões da Previdência. Em 2004, o índice subiu para 2,33.
O alívio para a administração do explosivo déficit, que soma R$ 34,185 bilhões neste ano até setembro (34,4% a mais do que no mesmo período de 2005), no entanto, é considerado algo momentâneo pelos especialistas e uma oportunidade para realizar as mudanças necessárias.
E o motivo é simples. Para os críticos, há um problema estrutural e uma tendência: o envelhecimento da população inverterá a relação entre o total de contribuintes e o de beneficiados. Por isso, é preciso ter um sistema que não dependa da conjuntura econômica e que esteja preparado para o desafio do amadurecimento da população.
Nesse momento, as pessoas que estão contribuindo agora para o sistema vão sair do mercado e não serão substituídas na mesma proporção por novos contribuintes. Essa é a tendência mundial. Para o economista Guilherme Loureiro, da consultoria Tendências, mesmo com a perspectiva do governo de ligeira melhora no curto prazo das contas da Previdência, não fazer uma reforma no próximo governo é empurrar o problema para daqui a, no máximo, nove anos. Segundo ele, o aumento do déficit da Previdência conseguirá ser compensado na contabilidade do setor público como um todo com aumento de arrecadação e cortes de outras despesas até 2015. A partir daí, diz, a situação ficará insustentável.
“A dinâmica de longo prazo da Previdência é determinada pelo crescimento da população idosa, que vem subindo mais do que o número de contribuintes’’, diz. “O crescimento da relação contribuintes e beneficiários, hoje, é atípico e está influenciado por uma conjuntura favorável de redução do desemprego’’, completa.
Fonte: Folha de Pernambuco
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