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Cerveró implica Gabrielli ao depor

16 de janeiro de 2015

SÃO PAULO – O ex-diretor da área de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou ontem que a compra dos navios-sonda de perfuração marítima, que teriam sido alvo de propina de US$ 30 milhões para a força-tarefa da Operação Lava Jato, foi feita "fora de procedimento licitatório" e aprovada pela Diretoria Executiva da estatal, "composta por seis diretores e o presidente a quem cabe examinar a compra de equipamentos e construção de refinarias e gasodutos". O depoimento, com duração de cerca de três horas, foi prestado à Polícia Federal, em Curitiba. Cerveró, preso desde terça-feira, é acusado de tentar ocultar patrimônio após ser denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro em esquema investigado pela Lava Jato.

Na época da compra dos navios-sonda, o presidente da Petrobras era José Sérgio Gabrielli, apadrinhado político do ex-presidente Lula. "A aquisição das sondas em questão se deu fora de procedimento licitatório, por ser incabível diante das circunstâncias que cercavam o negócio, que visava atender uma necessidade específica e imediata da Petrobras", disse Cerveró, acrescentando que o negócio recebeu parecer jurídico favorável da estatal.

Gabrielli afirmou, por meio de nota, que desconhece o pagamento de propinas e que as decisões sobre as contratações feitas na época foram coletivas. "O presidente da companhia, isoladamente, não tem poderes para aprovar processos de contratação. As decisões são coletivas e de responsabilidade da diretoria executiva", diz a nota.

Cerveró foi questionado sobre seu envolvimento com Fernando Baiano, preso na PF em Curitiba. Ele respondeu que o "conheceu por volta de 2000, quando era gerente executivo de Energia" da Petrobras e que ele teve participação ativa no negócio das sondas. Baiano é apontado como operador do esquema de propinas para o PMDB, com intermediação de Cerveró. "Fernando representava empresas espanholas do ramo de energia térmica", afirmou a quatro delegados da PF.

O ex-diretor lembrou que, nesse período, o País passava por uma crise de abastecimento e apontou a Union Fenosa como empresa representada por Baiano. "Tais empresas tinham interesse em entrar no mercado brasileiro e outras teriam feito contatos semelhantes na época", disse. Segundo ele, Baiano continuou atuando na Petrobras, "tendo se dirigido a outras diretorias, como a de Abastecimento e Gás e Energia".

A primeira, era ocupada por Paulo Roberto Costa. Preso em março de 2014, ele virou delator do caso. A de Gás e Energia era ocupada pela atual presidente da Petrobras, Graça Foster. Sua única referência à executiva foi quando perguntado sobre as transferências de imóveis que fez para as filhas, um dia antes de se tornar réu em ação penal da Lava Jato. "A presidente da Petrobras realizou operações semelhantes, transferindo imóveis aos filhos dela".

Fonte: Jornal do Commercio

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