Notícias
Causas e efeitos (Editorial)
26 de setembro de 2006Os observadores da atual cena brasileira seguem divididos quanto aos motivos pelos quais o país vem há alguns anos crescendo tão pouco. É claro que uma parte das queixas – talvez a maior parte – incide sobre o pesado esforço de revalorização da moeda que dura já um decênio. Mas esta foi uma opção nacional de que poucos poderiam discordar, após quatro décadas de aviltamento monetário e desordem econômica. Não há como iniciar e sustentar uma batalha contra a inflação teimosamente fixada nos dois dígitos com gracinhas, da mesma forma como não seria possível combater focos de incêndio com jorros de gasolina.
Então, o país compenetrou-se de que o duro ajuste teria de ser feito.
A distinção das opiniões parece começar neste ponto. Para alguns, o país já alcançou, faz algum tempo, a capacidade de lidar com o câmbio livre, com o salário também livre e, afinal, com demais liberdades receitadas pelo figurino liberal ou liberalizante. Outros, entretanto – alguns encastelados nos escritórios dominantes do governo,acham que não, que ainda é cedo para soltar os cabrestos, os controles, as presilhas em que vive atada a economia do país. Daí que, diz o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, “a economia continua amarrada por um cipoal de restrições estruturais que impede o investimento, seja público, seja privado”. Haveria dois grupos de restrições impeditivas da expansão econômica.
O primeiro desses grupos é representado por uma carga tributária
de quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) “incompatível com o que existe nas economias emergentes modernas”. É também representado
“por um sistema de impostos irracional e de complexidade inaceitável no mundo competitivo de hoje”.
Ainda segundo o perito citado, há o segundo grupo de condições restritivas, e estas seriam de natureza institucional como que destinadas a estabelecer um ambiente hostil para a eficiência das corporações privadas.
A maioria dos impostos é nociva ao emprego e à produção. Empresários se acanham ante a natureza e o volume da carga tributáriaimperante. Se o processo distorcivo continua, não haverá firma genuinamente nacional que possa estabelecer a saudável disputa pelo mercado com as estrangeiras, sobretudo as asiáticas.
Será necessário, por outro lado, que todos se esclareçam sobre um ponto que por assim dizer vive na obscuridade: a carga fiscal contra que tantos se levantam (com razão) não é causa, mas o resultado, a conseqüência do verdadeiro item demolidor da economia que são os gastos do governo. O excesso de gastos governamentais é causador de uma série de malefícios incontornáveis, sobretudo do baixo crescimento da economia. E o sistema tributário defeituoso que temos também é conseqüência, resultado, da dimensão dos gastos públicos. Em síntese, o economista Mendonça de Barros é de opinião, compartida por muitos economistas com igual autoridade, que “o sistema tributário maluco que temos é também o resultado do tamanho dos dispêndios públicos”.
Para essa corrente de opinião, o primeiro sinal para a recuperação do esforço de crescimento será a diminuição, provavelmente em termos drásticos, dos gastos oficiais no país.
Fonte: Diário de Pernambuco
Notícias
Operação Cortina de Fumaça: esquema com empresas de fachada causou prejuízo de ao menos R$ 132 milhões em PE
Um esquema investigado por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica causou prejuízo superior a R$ 132 milhões aos […]
CMN amplia crédito a estados sem garantia da União
Os estados, os municípios e o Distrito Federal poderão pegar mais crédito sem garantia da União. Em reunião extraordinária nesta […]
Durigan: questões fiscais ainda não foram resolvidas, mas governo trabalha de forma pragmática
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira, 5, que as questões fiscais ainda não estão resolvidas no País, […]
Promulgada pelo Congresso emenda da essencialidade dos tribunais de contas
O Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (5), em sessão solene, a Emenda Constitucional 139, que reconhece os tribunais de contas […]