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Brasil gasta mal os recursos que arrecada

27 de janeiro de 2012

Raissa
Ebrahim

raissa@jc.com.br

O Brasil foi eleito, pelo segundo ano consecutivo,
o País com os piores resultados em retorno de serviços públicos à
população, num ranking que envolve as 30 nações de maior carga
tributária do mundo. O estudo do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT) mostra que, mesmo com uma carga de
35,13% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma arrecadação de impostos
que ultrapassou a marca de R$ 1,5 trilhão no ano passado, o governo
brasileiro continua sem aplicar de forma adequada o dinheiro que sai
do bolso do contribuinte.

A Austrália ficou no topo da lista, seguida de
Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e Irlanda. Os EUA ficaram na
primeira colocação na pesquisa Carga Tributária: PIB X IDH do ano
passado. Já Japão e Irlanda, que ocuparam, respectivamente, as 2ª
e 3ª posições no levantamento anterior, caíram para 4º e 5º
lugar em 2012.

Mas, afinal, o que esses países têm que o Brasil
não tem? O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, que coordenou a
pesquisa responde: “O governo gasta muito e gasta mal, nossa
máquina é extremamente onerosa. Na Austrália, por exemplo, pega-se
grande parte do dinheiro colhido e investe-se na qualidade de vida da
população, especialmente em infraestrutura e educação”.

“Além isso, eles têm gastos menores com a
máquina pública. Provavelmente não trabalham com uma base de 38
ministérios como nós, por exemplo. Para se ter ideia, o trabalho
realizado por 15 funcionários públicos aqui é feito por apenas
duas pessoas lá”, complementa.

Para chegar a essas conclusões, o instituto criou
o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (Irbes), resultado da
somatória da carga tributária segundo a tabela da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde) de 2010 e o
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme dados do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com a previsão do
índice final para o ano de 2011. Quanto maior o valor do Irbes,
melhor é o retorno da arrecadação dos tributos.

Ainda de acordo com o levantamento, o Brasil ficou
atrás de países da América do Sul, como Uruguai (13º) e Argentina
(16º). “Essas nações conseguem distribuir melhor os recursos
para o que realmente interessa. O Brasil aplica apenas de 7% a 8% em
infraestrutura, por exemplo, e ocupa hoje a 15ª colocação mundial
em carga tributária. É a maior das Américas. Não sei como o País
quer se tornar uma potência mundial, concorrendo com Rússia, Índia
e China, se não sabe destinar bem os seus recursos”, questiona.

“Por mais que a carga dos países que se
destacam na aplicação dos recursos também seja alta, a população
vivencia um retorno”, diz ele. A pergunta que o estudioso faz é
provavelmente a mesma que ronda a cabeça dos brasileiros: “quem
está satisfeito tendo que pagar duas vezes pela saúde, pelo ensino,
pela segurança, pelas estradas, com os pedágios?”

Fonte: Jornal do Commercio

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