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A dívida interna (Editorial)

30 de outubro de 2006

 

O presidente da República continuará enfrentando o grave problema da dívida interna. Em passado recente, a dívida externa era um motivo constante de críticas e preocupações. De permanentes críticas, tendo sido uma das bandeiras da oposição no final das décadas de 70 e 80 até se consumar a renegociação que aliviou o governo, quanto aos compromissos financeiros internacionais. O alongamento dos prazos e juros mais adequados equacionaram a questão.

Atualmente, a fermentação prende-se à dívida interna em títulos públicos federais de R$ 1,06 trilhão, registrados em setembro, valor 2,2% superior ao de agosto, tendo crescido R$ 22,85 bilhões nesse último mês. Assinale-se que apenas a correção, decorrente dos juros, causou um impacto de R$ 12,16 bilhões, juntamente com novos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Este ano, os juros pagos alcançaram R$ 105,9 bilhões, valor superior aos R$ 82,2 bilhões referentes ao aumento do saldo da dívida entre janeiro e setembro. A diferença entre ambas as quantias significa que o Tesouro resgatou R$ 23,7 bilhões líquidos em títulos no referido período.

Frise-se que, apesar do aumento, houve uma melhora no perfil da dívida interna. Tanto que a parcela de títulos com remuneração pré-fixada (quando a taxa de juros é determinada na ocasião da venda a instituições financeiras) passou de 31,49% para 32,83% da soma total, alcançando o maior nível desde 1999.

É evidente a intenção do Tesouro em elevar o volume de títulos com remuneração prévia. No mês passado, 61% das emissões de papéis e 37,8% do estoque da dívida estavam sintonizados com esse objetivo. Em contrapartida, as instituições compradoras têm demonstrado receptividade, preferindo-os, uma vez que a taxa Selic (que já os indexou) vem se reduzindo, paulatinamente, e o dólar, um parâmetro que ainda remunera 28,6% dos papéis, continua desvalorizado em relação ao real.

Por isso, isolando-se eventuais ou prováveis dificuldades político-partidárias, a dívida interna será um grande obstáculo aos investimentos públicos por consumir substanciais recursos, em detrimento de investimentos básicos nos mais diversos setores sob a responsabilidade do governo, o que implica na adoção de uma estratégia exequível para financiá-la, mantendo compatível sua relação com o PIB no próximo quatriênio.

Fonte: Folha de Pernambuco

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