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A 3ª queda. E você com isso?

25 de fevereiro de 2016

A agência de classificação de risco Moody"s anunciou ontem o rebaixamento da nota de crédito do Brasil, o que significa que o País perdeu o último selo de bom pagador que detinha entre as três maiores agências de risco do mundo. Agências de risco trabalham orientando investidores sobre a credibilidade de países e empresas. Com base em seus relatórios, o investidor decide se coloca ou não dinheiro naquele local.

Na prática, a decisão prejudica ainda mais a imagem do Brasil no mercado externo. Com notas tão ruins (veja arte), o País perde investimentos estrangeiros e é obrigado a emitir títulos (leia matéria abaixo) a juros maiores para atrair capital e fechar suas contas.

Juros maiores, como se sabe, são bons para os aplicadores, mas prejudicam o setor produtivo. Empresas têm maior dificuldade para contrair empréstimos e produzir, o que as leva a demitir pessoal. Consumidores sentem mais no bolso ao fazer compras a prazo, o que reduz as vendas. A economia trava.

Vale lembrar que o País, vítima de erros na condução da política econômica nas duas gestões Dilma Rousseff, já enfrenta uma das maiores recessões de sua história. A retração estimada do ano passado é de aproximadamente 4%. Nos próximos dois anos, deveremos continuar com o PIB em queda. Existem hoje mais de 9 milhões de desempregados e praticamente todos os setores da economia estão sob recessão. Uma decisão como a da Moody?s piora ainda mais este cenário.

CONCEITOS

A nota do País foi cortada em dois degraus, de Baa3 – último nível de grau de investimento – para Ba2. A perspectiva é negativa, o que indica que novo rebaixamento pode ocorrer nos próximos meses. Em dezembro, a Moody"s já havia sinalizado que poderia cortar a nota do País, ao colocá-la em observação, revisando a perspectiva de estável para negativa.

Em comunicado, a Moody"s afirma que o rebaixamento reflete a perspectiva de piora nas contas do Brasil em um cenário de baixo crescimento, com o endividamento do governo inclinado a superar 80% do PIB dentro de três anos.

A agência citou ainda a dinâmica política desafiadora, que deve continuar a complicar os esforços de consolidação fiscal das autoridades e adiando reformas estruturais.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, a analista da Moody"s para o Brasil, Samar Maziad, destacou que o aumento de risco de impeachment da presidente Dilma Rousseff está novamente alimentando as incertezas e obscurecendo a perspectiva para o Brasil.

REPERCUSSÃO

Ontem, líderes de oposição no Congresso atacaram o governo, a quem culpam pelo resultado. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), adversário da presidente Dilma nas últimas eleições, chamou de irresponsável a condução da economia e afirmou que o governo não tem autonomia para conduzir as reformas necessárias. "É o pior sinal possível e, ao contrário do que o PT gosta de afirmar, é de responsabilidade exclusiva do governo brasileiro, dos inúmeros equívocos do governo do PT. A verdade é que esse rebaixamento significa: as empresas com maior dificuldade de rolar suas dívidas, com mais dificuldade, mais desemprego, descontrole da economia cada vez maior." O líder do Democratas na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), afirmou que a decisão reflete a situação calamitosa das contas públicas do País.

Já o Ministério da Fazenda reagiu ao rebaixamento por meio de uma nota à imprensa na qual afirma que está adotando medidas estruturais para reverter as incertezas do mercado em relação à trajetória da dívida pública e retomar a confiança dos agentes econômicos.

Fonte: Jornal do Commercio

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